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Categoria: Internacional

  • Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária; vice assume

    Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária; vice assume

    Enquanto a Câmara dos Deputados do Paraguai discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, nesta quinta-feira (5), o mandatário do país Santiago Peña anunciou a renúncia ao cargo, em meio a uma crise financeira causada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank.

    Abandonado pelo próprio partido, que passou a cobrar sua renúncia, Peña justificou a decisão em nome da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”. O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.

    “Me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, disse o presidente, em pronunciamento nas redes sociais.

    “A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe vivenciar. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República”, acrescentou.

    Crise

    A crise financeira que sacudiu o Paraguai começou na terça-feira (3) e se transformou em crise política.

    Na manhã de hoje, a Câmara iniciou o debate para abertura de um processo de impeachment que contava com o apoio até mesmo da legenda do mandatário, o Partido Colorado.

    O terremoto político no país vizinho é consequência da liquidação do Ueno Bank, que tinha 2,9 milhões de correntistas, cerca de 60% da população adulta do país. Essas pessoas tiveram seus depósitos congelados.

    Após a liquidação do banco, o presidente do BC paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele foi dirigente do banco digital até 2023, antes de assumir a chefia do Banco Central do país. https

    Protestos de rua cobram que os responsáveis pela crise sejam punidos. O Ministério Público do Paraguai pediu a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale.

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    Presidência

    A crise atingiu o presidente Santiago Peña por ele ter sido acionista, até março de 2025, do grupo que controla o banco, o Grupo Vázquez.

    Eleito em 2023, o Santiago Peña é um político da direita conservadora do Partido Colorado que há sete décadas controla o poder no Paraguai, exceto por cinco anos (1947-1952).

    A oposição acusa o governo pelos investimentos realizados pelo Instituto de Seguridade Social (PIS), que é estatal, no Ueno Bank.


    Policiais policiam uma agência do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai – REUTERS/Cesar Olmedo/Proibida reprodução

    O banco digital ainda administra o pagamento de pensões de milhares de aposentados e tem cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos, estimados em US$ 850 milhões.

    A oposição responsabiliza Peña pela crise por ele ter nomeado para presidente do BC um ex-dirigente do Ueno. Ao anunciar a renúncia, o presidente pediu desculpas ao povo paraguaio.

    “Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai”, afirmou Peña.

    Partido Colorado

    O presidente do Partido Colorado e ex-presidente do país, Horácio Cartes, afirmou que a legenda não estará ao lado “do latrocínio de fundos públicos, privados e dos aposentados”.

    O presidente do Congresso paraguaio, Bachi Nunéz, dois dias antes de pedir a renúncia de Peña, avaliava à imprensa que o presidente não poderia ser responsabilizado porque o Banco Central tinha autonomia institucional.

    A oposição acusa o Partido Colorado de querer se afastar do escândalo que teria ajudado a construir. A deputada do Partido País Solidário (PPS), Johanna Ortega, destacou, durante a sessão da Câmara, que os recursos dos aposentados estavam sendo depositados em um banco próximo ao presidente Peña.

    “Temos alertado sobre conflitos de interesses, sobre a utilização de instituições públicas para favorecer negócios privados de uns poucos, e sobre o crime de gestão em proveito próprio — prática na qual este Presidente da República tem incorrido sistematicamente”, afirmou.

    O Paraguai conta com um fundo garantidor que pode reembolsar até US$ 38 mil por pessoa, o que representa ₲ 228.300.000 na moeda local, o equivalente a 75 salários-mínimos.

    Consequências econômicas

    A crise financeira e política do Paraguai abala a reputação que o país vinha construindo de destino emergente da América do Sul para o capital estrangeiro, com repercussões sobre a economia local.

    A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) destacou, em nota, que duas em cada três transações das grandes redes varejistas do país são realizadas por contas do Ueno Bank.

    “Ocorrerá, sem dúvida, uma semiparalisação do mercado comercial no Paraguai. Essa situação não nos afeta apenas no âmbito comercial; ela impacta também o cotidiano das famílias, afetando, assim, a vida diária de milhões de pessoas”, disse o comunicado publicado na mídia local.

    A agência de risco Moody’s afirmou que o caso coloca em prova a capacidade das autoridades de gerir a situação de um banco importante.

    “Um dos principais riscos que a Moody’s identifica está nos depósitos que excedem a cobertura do seguro. Ainda que o BCP indicou que 97% dos depositantes estariam completamente cobertos, somente 30% dos depósitos do Ueno se encontravam dentro dos limites da garantia”, afirmou a agência Bloomberg Línea, com base na nota do Moody’s.

    No Brasil, grupos políticos vêm defendendo que o país vizinho seria um exemplo de sucesso econômico e financeiro.

    O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a admiração desses grupos com o Paraguai vem da ocupação que o agronegócio do Brasil realiza no país vizinho.

    “A direita brasileira achar que é um paraíso porque já estão com os contatos políticos estabelecidos lá. Tem até agências do Banco do Brasil, e se fala em português em escolas públicas, contrariando a lei paraguaia. É como um terreno ocupado pelo agronegócio brasileiro”, afirmou o estudioso da realidade paraguaia.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Extrema direita europeia se distancia de Trump

    Extrema direita europeia se distancia de Trump

    Os políticos de extrema direita da Europa começaram a se distanciar de Donald Trump após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos EUA, ainda que, em geral, tenham evitado criticar diretamente o próprio presidente.

    A mudança de postura é notável, já que muitos desses líderes comemoraram seus laços ideológicos com Trump após sua vitória em 2024, com alguns deles tendo visitado Washington desde então, e recebido apoio de seu aliado bilionário Elon Musk.

    Jordan Bardella (foto), líder do Reunião Nacional da França, que, segundo a maioria das pesquisas, poderá formar o próximo governo, exemplificou essa mudança política.

    O segundo mandato de Trump foi menos isolacionista do que o primeiro, de 2017 a 2021, afirmou Bardella.

    “A intervenção norte-americana em relação ao Irã acarreta consequências muito graves” para as economias ao redor do mundo, acrescentou ele, sem mencionar Trump como o responsável por essa intervenção.

    Na Alemanha, Alice Weidel, colíder do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), também atribuiu a derrota à guerra contra o Irã. “Trump havia prometido a seus eleitores que não seguiria uma política externa intervencionista. A promessa quebrada agora voltou para assombrar os republicanos”, disse ao site de notícias T-Online.

    Trump reconheceu que a guerra com o Irã teve um papel nas derrotas de seu partido, mas afirmou que mantém sua decisão.

    Pressões e custo de vida

    Na Itália, Matteo Salvini, líder do partido de extrema direita Liga, que faz parte da coalizão governista, afirmou que o resultado norte-americano foi influenciado sobretudo pelas guerras, pelas tensões internacionais e pelo aumento do custo de vida, cujas consequências recaem diretamente sobre as famílias.

    “A esperança é que essa votação possa representar uma aceleração rumo ao fim dos conflitos e um retorno à paz”, disse.

    Roberto Vannacci, ex-general italiano que lidera o partido de extrema direita Futuro Nacional, disse que o resultado nos EUA mostrou os perigos políticos de não cumprir promessas eleitorais. Vannacci já havia expressado admiração pela política nacionalista de Trump, conhecida como “America First”, mas, desde então, tem criticado o presidente em relação à política externa.

    “Trump não correspondeu às expectativas, foi incapaz de pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia e iniciou uma guerra contra o Irã”, disse Vannacci à agência de notícias ANSA, argumentando que o consequente aumento nos preços da energia e a turbulência econômica e no mercado de ações prejudicaram a classe média dos EUA e contribuíram para o resultado eleitoral.

    Laços com Trump pode se tornar peso eleitoral

    Os líderes da extrema direita europeia estão se distanciando de Trump por uma vantagem política óbvia, segundo o analista Mujtaba Rahman, diretor-gerente da consultoria de risco político Eurasia Group. “Sua crescente impopularidade, especialmente em relação ao custo de vida, corre o risco de transformar o que antes era um trunfo político em risco eleitoral”, disse à Reuters.

    Rahman disse que os líderes da extrema direita parecem querer o melhor dos dois mundos: colher o “impulso ideológico do trumpismo” sem serem manchados pelo “caos e pela perturbação econômica de sua presidência”.

    “O risco é que Trump e seus aliados do MAGA, que veem a extrema direita europeia como parceiros ideológicos em sua luta contra o establishment europeu, possam reagir retirando seu apoio político ou até mesmo voltando-se contra eles”, acrescentou.

    Um dos poucos a minimizar a magnitude da derrota dos republicanos foi Dan Dungaciu, vice-presidente da Aliança para a Unificação dos Romenos, partido de extrema direita da oposição, que argumentou que as notícias sobre a “morte política” de Trump eram “muito exageradas”.

    “Donald Trump não se torna automaticamente um presidente sem poder. Em vez disso, ele passa de uma presidência apoiada por maiorias republicanas para uma em que o Executivo e o Congresso se controlarão mutuamente de forma muito mais intensa”, afirmou.

    Na Espanha, o líder do partido de extrema direita Vox, Santiago Abascal, fez pouco esforço para amenizar seu distanciamento de Trump, dizendo aos repórteres que estava “na Espanha e não em Michigan”.

    “Não me importo muito com o que acontece em outros lugares”, disse Abascal, que no passado já havia divulgado sua aliança com Trump e o movimento Maga.

    Rupert Lowe, líder do partido de extrema direita Restore Britain, também atribuiu a derrota dos republicanos à decisão de atacar o Irã, chamando-a de “erro catastrófico”. Ele acrescentou: “O que essa guerra conseguiu? Absolutamente nada de valor.” Lowe, no entanto, não incluiu em sua longa postagem no X o nome do presidente que iniciou a guerra.

    O líder populista de direita do Reform UK, Nigel Farage, reconheceu na quarta-feira (4) que a eleição havia sido uma “derrota completa e total” para os republicanos, apesar de sua previsão anterior de que as expectativas de uma vitória esmagadora dos democratas eram exageradas.

    Farage, que costuma alardear sua amizade com o presidente dos EUA e visitou a Casa Branca no ano passado, disse à GB News que agora há “potencial” para um desentendimento entre Trump e o vice-presidente JD Vance.

    “Acontece que muitos dos jovens, aqueles que seguem todo tipo de influenciadores de direita e que votaram em Trump em 2024, na verdade votaram nos democratas ontem. Foi uma derrota esmagadora, em grande parte, creio eu, por causa da guerra, da guerra prolongada no Irã e do custo do combustível”, acrescentou Farage.

    *É proibida a reprodução deste conteúdo.

    Fonte: Agência Brasil (Reuters – Crispian Balmer, Ludwig Burger, David Latona e Luiza Ilie – Repórteres da Reuters). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Entenda as eleições de meio de mandato do presidente nos EUA

    Entenda as eleições de meio de mandato do presidente nos EUA

    As eleições nos Estados Unidos (EUA) têm várias diferenças do processo eleitoral realizado no Brasil, desde a forma de votar – nos EUA a urna eletrônica é usada, mas também é possível votar com cédula de papel e pelo correio – até as regras que definem o novo presidente da República. Outra diferença importante são as eleições de meio de mandato do presidente, ou midterms, realizadas nesta semana no país.

    As midterms são eleições que mudam a composição do Congresso estadunidense ao fim do segundo ano do mandato presidencial, ou seja, na metade do mandato do chefe do Executivo nacional. Nessas eleições, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes – o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – ficam em disputa. Além disso, um terço do Senado é renovado.

    Na Câmara, o mandato é de dois anos. Ou seja, são renovados tanto no início do mandato presidencial, as chamadas eleições gerais, quanto nas midterms. Já o mandato de um senador nos Estados Unidos é de seis anos. São 100 senadores no total, com renovação de 34 ou 35 cadeiras a cada dois anos. Este ano são 35.

    Como apenas um terço do Senado é renovado a cada vez, nem todos os 50 estados elegem novos senadores nas eleições de 3 de novembro. Desta vez, 15 estados não votam. São eles: Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin.

    Por que é importante?

    A disputa de assentos no Congresso serve como termômetro da opinião pública sobre o governo federal. Quanto mais insatisfeitos com o atual presidente, mais os cidadãos tendem a refletir isso nas urnas, votando em políticos do partido contrário.

    Nos EUA, dois partidos dominam a política, os Republicanos e os Democratas. Existem outros, como o Partido Verde e o Libertário, mas com pouca presença no Congresso.

    O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é do Partido Republicano. A vitória do Partido Democrata, conquistando a maior parte das cadeiras da Câmara e também no Congresso, mostrou o desgaste que o presidente vem sofrendo perante seu eleitor

    Esse desgaste já vinha aparecendo nas pesquisas de opinião. Nos últimos meses, os índices de aprovação do governo Trump não ultrapassavam a casa dos 30%. A desaprovação, por sua vez, tem sido na casa dos 60%.

    Com o Congresso (Câmara e Senado) com maioria do partido adversário até o fim do mandato, ou seja, pelos próximos dois anos, Donald Trump terá dificuldades em aprovar projetos de autoria do Poder Executivo. Isso pode engessar sua gestão para questões mais polêmicas, como tarifas contra outros países e a guerra contra o Irã.

    O presidente norte-americano depende do Congresso, entre outras coisas, para aprovação de orçamento; criação e alteração de leis; aprovação de nomes para a Suprema Corte, para o Gabinete Presidencial e para o comando de agências federais, como o FBI e a CIA.

    Além disso, o Congresso tem a palavra final sobre o envio de dinheiro para reforçar militarmente algum outro país em guerra e sobre a declaração de guerra a outra nação.

    Governadores

    A população não escolhe apenas novos senadores e deputados nas midterms. Dos 50 estados, 36 elegem novos governadores. Nem todos os estados têm eleições para governador porque cada estado tem a sua regra eleitoral. Os estados de Nova Jersey e Virginia tiveram suas últimas eleições para governador em 2025. A próxima escolha será apenas em 2029.

    Por ter regras específicas, cada estado também traz uma cédula com votações próprias. Os eleitores do Kansas, por exemplo, votaram para deputado, senador, governador, secretário de Estado do Kansas, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros.

    No estado do Missouri, vizinho de Kansas, os eleitores votaram apenas para auditor estadual, deputado e representantes estaduais, o equivalente a deputado estadual no Brasil.

    Além disso, cada estado aproveita a ida dos eleitores às urnas para fazer consultas públicas. Na cédula do Kansas, por exemplo, havia uma consulta a ser feita. Na cédula do Missouri, por sua vez, havia oito consultas.

    Fonte: Agência Brasil (Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Sete brasileiros são eleitos para assembleias estaduais nos EUA 

    Sete brasileiros são eleitos para assembleias estaduais nos EUA 

    Sete candidatos nascidos no Brasil foram eleitos nas eleições dos Estados Unidos nesta terça-feira (3), todos do Partido Democrata.

    Os brasileiros venceram a corrida para deputados nas assembleias locais de quatro estados norte-americanos.

    Os Estados Unidos concentram a maior comunidade brasileira no exterior. Estimativas do Itamaraty apontam que são mais de 2 milhões de brasileiros vivendo no país.

    Confira os deputados eleitos:

    Massachusetts:

    • Danilo Senna
    • Lorena Betts
    • Priscila Sousa
    • Rita Mendes

    Florida:

    • Felipe Souza Lazaballet

    Nevada:

    • Elaine Marzola

    Connecticut:

    • Farley Santos

    *Com informações da TV Brasil

    Fonte: Agência Brasil (Agência Brasil*). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Eleições nos EUA têm vitórias históricas de minorias sub-representadas

    Eleições nos EUA têm vitórias históricas de minorias sub-representadas

    As eleições de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos, as chamadas midterms, apresentaram vitórias históricas de minorias sub-representadas no país mais rico do mundo. Negros, hispânicos, muçulmanos, indígenas e gay estão entre os candidatos que conquistaram feitos pioneiros em cargos estaduais ou federais.

    A Agência Brasil destaca alguns dos nomes que obtiveram nas urnas marcas que representam salto de representatividade na democracia americana.

    Gay assumido

    O democrata Chris Pappas é o primeiro candidato assumidamente gay a conquistar uma vaga no Senado dos Estados Unidos. Ele foi eleito pela população do estado de New Hampshire.

    Pappas, de 46 anos, ocupa atualmente cadeira na Câmara dos Representantes, que equivale à Câmara dos Deputados no Brasil. O mandato dos senadores eleitos nas midterms começará em janeiro de 2027. Desde 2023, Pappas é casado com o advogado Vann Bentley.

    Apesar de ser o primeiro candidato assumidamente gay a ser eleito, ele não será o primeiro representante abertamente LGBTQIA+ no Senado. Tammy Baldwin, democrata de Wisconsin, é assumidamente lésbica e foi eleita em 2012. Ela segue no cargo.

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    Muçulmanos

    O democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, conquistou nas urnas uma cadeira no Senado dos Estados Unidos, pelo estado do Michigan. Dessa forma, o epidemiologista filho de imigrantes egípcios se torna o primeiro muçulmano eleito para a Câmara Alta do Congresso americano.


    Abdul El-Sayed, de 42 anos conquistou nas urnas uma cadeira no Senado. – Reuters/Ryan Garza/Proibida reprodução

    A ativista pelos direitos dos imigrantes Aber Kawas, de 34 anos, conquistou votos suficientes para um assento no Senado Estadual (Legislativo estadual) de Nova York. Filha de refugiados palestinos, ela é a primeira palestino-americana no Legislativo estadual do estado.

    De acordo com agências de notícias internacionais, a muçulmana Aber Kawas é também a primeira mulher de hijab (vestimenta islâmica que cobre cabelos e pescoço) eleita para a Casa Legislativa.

    Indígenas

    As midterms expuseram conquistas históricas de representantes indígenas. A democrata Deb Haaland, de 65 anos, foi eleita a primeira mulher indígena governadora nos EUA. A partir de janeiro de 2027, ela comandará o Novo México por quatro anos.


    Deb Haaland, da comunidade Laguna Pueblo,. – Reuters/Jasper Colt/Proibida reprodução

    Deb Haaland, da comunidade Laguna Pueblo, foi secretária do Departamento do Interior dos Estados Unidos no governo do então presidente Joe Biden, de 2021 a 2025.

    Nos EUA, os departamentos equivalem aos ministérios no Brasil. O Departamento do Interior é responsável, entre outras atribuições, pela gestão de terras e recursos naturais federais e por assuntos relacionados aos povos indígenas.

    Mais um pioneirismo pertence à democrata Peggy Flanagan, de 47 anos. Ela é a primeira mulher indígena eleita para o Senado dos Estados Unidos. Ela representa o estado de Minnesota e faz parte do povo Ojibwe.

    A democrata Claire Valdez também fez história ao ser a primeira mulher indígena eleita pela população de Nova York para representar o estado na Câmara dos Representantes. Com 37 anos, ela representa o povo Ysleta del Sur Pueblo.

    Pouco mais de 2% da população americana se considera indígena, de acordo com o Departamento do Censo dos Estados Unidos (U.S. Census Bureau), isso levando em conta quem se declara “alone”, isto é, de uma única raça.

    Negros

    Políticos negros também experimentaram protagonismos históricos nas midterms. De acordo com o Censo, 13,5% da população se declara negra.

    A democrata Keisha Lance Bottoms, foi eleita governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado americano.


    Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia – Foto: Reuters/Taylor Edgerton/ Proibido reprodução

    Byron Donalds, do partido Republicano, foi eleito governador da Flórida e será o primeiro homem negro a ocupar o cargo no estado.

    Donalds é também o primeiro negro eleito governador em toda história dos republicanos. O partido já teve um governador negro, Pinckney Pinchback (Louisiana), na década de 1870. Mas ele foi um vice-governador que assumiu após o impeachment do governador Henry C. Warmoth.

    Louisiana é onde, de 1841 a 1853, se passou a história real que deu origem à autobiografia Doze anos de Escravidão, escrita por Solomon Northup. O drama, que foi adaptado para filme (2013), conta a história de um homem negro que foi sequestrado no norte do país e escravizado no sul.

    À época, parte dos Estados Unidos já havia abolido a escravidão, mas o sul atrasado mantinha a prática de trabalho forçado.

    O democrata David Crowley, de Wisconsin, será o primeiro governador negro do estado, que tem 178 anos de história.

    Em Illinois, a vice-governadora democrata, Juliana Stratton, venceu a eleição para o Senado dos Estados Unidos. Ela será a sexta mulher negra a chegar à Casa. A eleição dela fará com que o estado seja o primeiro a ter duas mulheres de minorias raciais representando-o simultaneamente no Senado. Ela se juntará à democrata Tammy Duckworth, asiático-americana.

    Mulheres

    As urnas americanas fizeram com que mulheres americanas escrevessem os nomes na história como pioneiras na lista de eleitas para o comando de governos estaduais.

    A democrata Amy Acton, de 60 anos, estará à frente do estado de Ohio. A também democrata Amy Klobuchar, de 66 anos, comandará Minnesota. A republicana Marsha Blackburn, de 74 anos, será a governadora eleita do Tennessee.

    Latinos

    No Texas, a democrata Gina Hinojosa rompeu um ciclo em que, desde 1995, apenas republicanos se elegiam para o governo do estado. Além disso, aos 52 anos e de família com raízes mexicanas, ela se tornará a primeira mulher de origem latina a comandar o executivo estadual.

    O democrata Xavier Becerra, de 68 anos, é o primeiro latino eleito diretamente governador da Califórnia. O único latino governador do estado antes dele foi Romualdo Pacheco, que ficou no cargo até 1875. No entanto, Pacheco era vice-governador e chegou ao posto sucedendo ao titular.

    Fonte: Agência Brasil (Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Progressistas e minorias renovam democratas em vitória sobre Trump

    Progressistas e minorias renovam democratas em vitória sobre Trump

    A vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as Midterms, foi marcada por lideranças jovens, de minorias étnicas ou religiosas e com discurso progressista.

    Esse retrato renova a imagem que saiu desgastada da derrota para Donald Trump em 2024, quando o partido estava fortemente associado às elites econômicas e era criticado por um suposto abandono das pautas dos trabalhadores norte-americanos.

    Em entrevista à Agência Brasil, o doutor em ciência política Juliano Machado Pires atribuiu a avaliação ruim que o Partido Democrata tinha, em 2024, à decepção com o governo de Barack Obama (2009-2017).

    “A população tinha muitas expectativas com o governo Obama. Com a crise dos bancos, em 2008, Obama salvou os bancos, mas não salvou a hipoteca da população. Uma parcela das pessoas se sentiu traída e ficou com a sensação de que os dois partidos davam no mesmo na hora de proteger os direitos econômicos das pessoas”, explicou.

    A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou que o pleito de 2026 elegeu um número expressivo de democratas que são de fora da “elite” da legenda.

    “São indivíduos que têm uma agenda muito mais progressista, em alguns casos até socialista, enfatizando melhores condições de vida para a classe trabalhadora, saúde universal e gratuita para todos”, comentou à Agência Brasil.

    O resultado fez o Partido Democrata eleger senadores e deputados em estados e distritos onde perdeu sucessivas eleições nos últimos anos, como o Texas. Com isso, tanto o Senado quanto a Câmara passaram a ser majoritariamente ocupados pela oposição à Donald Trump, do Partido Republicano.

    Pioneiros

    Entre os nomes de destaque, estão a primeira mulher negra da história dos EUA a ser eleita governadora, Keisha Lance Bottoms, pelo estado Georgia; a primeira governadora indígena, Deb Haaland, pelo Novo México; e o primeiro senador abertamente homossexual, Chris Papas, eleito por New Hampshire.


    Deb Haaland se tornou a primeira mulher indígena a ser eleita governadora nos Estados Unidos Foto: Reuters/Jasper Colt/Proibida reprodução

    Em seu discurso, a governadora eleita pela Georgia dedicou a vitória às pessoas que não têm acesso a serviços de saúde e de educação, devido ao alto custo de vida nos EUA.

    “Esta vitória é para o cuidador que não tem condições de arcar com despesas de saúde e precisa que a Georgia finalmente amplie o Medicare [principal programa público de saúde dos EUA]”, disse Keisha Bottoms.

    O professor de história da Universidade de Brown, dos EUA, James N. Green, explicou à Agência Brasil que, nos EUA, os dirigentes partidários locais têm bastante flexibilidade para definir a política do estado, o que contribuiu para essa renovação.

    “A diversidade do Partido Democrata deu essa flexibilidade de candidatos diversos, que podiam atrair uma base da população, combinada com uma política horrível do governo de Trump, que incentivou muitas pessoas a romper com ele e apoiar os democratas”, avaliou.

    Evangélico progressista

    Outro nome de destaque foi o vencedor ao Senado pelo Texas, James Talarico, que derrotou os republicanos pela primeira vez em quase 40 anos no estado.

    Essa também foi a primeira vez que o Texas elegeu uma governadora latina, Gina Hinojosa, após décadas de hegemonia do partido Republicano.

    Com 37 anos, James Talarico articula um discurso religioso com a defesa dos mais necessitados e da justiça social. Ele é filho de pastor e seminarista presbiteriano.

    “O presidente dos EUA disse que eu insultei Jesus. Sabe o que insulta Jesus? Deixar os pobres sem assistência social enquanto corta impostos de bilionários. Sabe o que insulta Jesus? Deportar o estrangeiro e separar mães de seus bebês”, disse.


    James Talarico discursa após vitória na candidatura ao Senado pelo Texas. Foto: Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

    O jovem político se referia à política anti-imigração de Trump, acusada de separar famílias, e à aprovação do projeto que tirou US$ 1 trilhão da saúde enquanto cortou impostos para os mais ricos.

    O texano foi um duro crítico da plataforma política da extrema-direita republicana, que ataca minorias como transexuais, imigrantes e mulçumanos dentro dos EUA.

    “A única minoria que está destruindo os Estados Unidos é a dos bilionários. Muitas das divisões neste estado e neste país são fabricadas por bilionários que querem que lutemos uns contra os outros, em vez de lutarmos contra eles”, disse Talarico em um evento de campanha.

    A professora Camila Vidal, da UFSC, destaca que Talarico resgata uma tradição que teria sido abandonada pelo Partido Democrata, pelo menos, desde o governo de Bill Clinton (1993-2001).

    “Vinda de um estado como o Texas, é bastante emblemático. Talarico traz de volta a religião e o cristianismo para o âmbito do trabalhador local, falando com essa classe empobrecida e gigantesca hoje em dia nos EUA. É uma grande surpresa”, comentou.

    Primeiro muçulmano

    Também chamou atenção a eleição do primeiro mulçumano para o Senado dos EUA, Abdul El-Sayed, pelo estado de Michigan, que fez campanha criticando os gastos do país com ajuda militar a Israel.


    Abdul El-Sayed venceu a disputa pela vaga no Senado do estado de Michigan. Foto: Reuters/Ryan Garza/Proibida reprodução

    No discurso da vitória, El-Sayed criticou o lobby sionista que teria gastado milhões de dólares para derrotá-lo em Michigan.

    “Tentam rotular você como alguém cheio de ódio se você acredita que crianças palestinas deveriam poder crescer na terra de seus antepassados sem serem assassinadas com o dinheiro dos nossos impostos”, afirmou o senador eleito.

    No dia da eleição, Trump anunciou a suspensão da ajuda militar para Israel de US$ 4 bilhões, o que, para alguns analistas, foi visto como uma tentativa de reverter a tendência de votos em candidaturas que criticam o financiamento de Israel pelos EUA.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Conheça James Talarico, evangélico que derrotou nome de Trump no Texas

    Conheça James Talarico, evangélico que derrotou nome de Trump no Texas

    “O Texas talvez nunca mais seja o mesmo”. Essas foram as palavras que o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, escolheu para definir o resultado eleitoral no estado americano que, até ontem, era um bastião do partido Republicano, do presidente Donald Trump.

    As eleições de meio de mandato presidencial, chamadas de midterms – na qual os americanos elegem candidatos para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil), escolhem um terço do Senado (35 de 100 cadeiras) e governadores em alguns estados –, significou derrota para o presidente Trump, que assistiu ao partido de oposição, o Democratas, conquistar maioria nas duas Casas do Congresso.

    No Texas, Gina Hinojosa fez história ao derrotar o governador Greg Abbott, que está no terceiro mandato. Ela será a primeira governadora hispânica do estado.

    Outra personalidade política protagonista é James Talarico, que se tornou o primeiro democrata a conquistar uma vaga pelo Texas no Senado desde 1988. Ele derrotou Ken Paxton, que recebeu o apoio de Trump ainda na primária do partido Republicano, espécie de concorrência interna que define o nome dos candidatos, sobressaindo-se sobre o senador John Cornyn.

    Talarico, de 37 anos, tem se posicionado por mudanças nas políticas de controle de imigração, acesso a medicamentos, uso da maconha por adultos, direitos humanos e já brincou com brasileiros em uma rede social.

    Ao The New York Times, Garry Mauro, político democrata do Texas, chamou o resultado de “um tsunami”. Outros representantes do partido disseram que a eleição redesenha o mapa político, “encerrando o papel do Texas como laboratório de leis conservadoras para todo o país”.

    Evangélico e ex-professor

    James Talarico nasceu no Texas, estado do Sul dos Estados Unidos que faz fronteira com o México, ou seja, região que vive de perto as questões relacionadas à entrada de imigrantes na maior economia do mundo. É deputado estadual desde 2018.

    O político é ex-professor de literatura e língua inglesa. Deu aulas em uma escola pública em San Antonio, bairro com forte presença de mexicanos e uma das localidades mais pobres do estado.

    Ele conta no site de campanha que foi criado pela mãe e teve um pai biológico que tinha problemas com o álcool, o que, às vezes, “o levava a cometer atos de violência”.

    Talarico é seminarista presbiteriano. Ele sustenta que a fé dele o faz rejeitar o nacionalismo cristão e se comprometer com o projeto democrático, no qual todas as pessoas e todas as famílias, independentemente de religião, raça, gênero, orientação sexual ou qualquer outra diferença, “possam ser verdadeiramente livres e alcançar seu pleno potencial”.

    Entre as propostas para o mandato como senador, sustenta retirar o governo das decisões pessoais e privadas. Como exemplo, cita:

    • proteger o acesso a métodos contraceptivos e à fertilização in vitro;
    • proteger a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e defender a população LGBTQIA+ contra excessos do governo;
    • legalizar a maconha regulamentada para adultos, “para que as pessoas deixem de ser presas por uma substância que já é legal em metade do país”.

    O mandato de seis anos começará em janeiro de 2027.

    Imigração

    Talarico conta ser da oitava geração de uma família texana: “Minha família vive aqui desde quando o Texas ainda fazia parte do México.”

    “Nós, texanos, entendemos a imigração melhor do que a maioria dos americanos – tanto seus desafios quanto seus benefícios”, diz.

    Essa proximidade o faz defender mudanças na política de imigração, inclusive em relação ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês), que atua como polícia migratória, já alvo de protestos.

    No seu plano de propostas, defende que a fronteira deve ter “um tapete de boas-vindas na entrada e uma fechadura na porta”.

    “Podemos tanto acolher o estrangeiro – refugiados, solicitantes de asilo e pessoas que querem contribuir para nossa economia e buscar o sonho americano – quanto impedir a entrada daqueles que pretendem nos fazer mal”, sustenta o senador eleito.

    “O ICE deveria estar combatendo os cartéis, não nossas comunidades. O ICE deveria estar deportando membros de gangues, não pequenos empresários. O ICE deveria estar caçando traficantes de pessoas, não mães e bebês”, publicou no X, antigo Twitter.

    Medicamentos

    O político democrata tem diabetes tipo 1. Uma de suas bandeiras é reduzir os custos dos medicamentos prescritos.

    No Texas, defendeu um projeto de lei que limitava o copagamento da insulina a US$ 25 por mês, permitindo que o estado importe medicamentos prescritos mais baratos do Canadá a custos reduzidos, reprimindo as grandes farmacêuticas por preços abusivos e estabelecendo um programa de economia em medicamentos prescritos para texanos sem seguro saúde.

    Sem divisão direita e esquerda

    James Talarico faz campanha prometendo lutar contra “megadoadores bilionários”, que, na visão dele, distorceram o sistema em prejuízo das famílias trabalhadoras do Texas.

    Talarico afirma ser o único integrante da Assembleia Legislativa do Texas que nunca recebeu dinheiro de comitês de ação política empresariais.

    Ele sustenta que bilionários se utilizam da estratégia de “dividir para conquistar”.

    “A maior divisão neste país não é entre esquerda e direita. É entre os que estão no topo e os que estão na base”, acredita.

    “As pessoas que estão no topo se esforçam tanto para nos manter com raiva e divididos porque nossa união representa uma ameaça à riqueza e ao poder delas. Por isso, suas redes de televisão a cabo e seus algoritmos das redes sociais nos colocam uns contra os outros”, completa.

    “Eles nos dividem por partido, raça, gênero e religião para que não percebamos que estão cortando o financiamento de nossas escolas, desmontando nosso sistema de saúde e reduzindo os impostos para si mesmos e seus amigos ricos.”

    Curiosidade com o Brasil

    Em novembro de 2000, James Talarico se divertiu com brasileiros no X.

    “Estou viralizando no Brasil agora… Pelo visto, ‘talarico’ é uma gíria brasileira para ‘ladrão de mulheres’. Olá, Brasil! Estou apenas fazendo boas políticas públicas aqui no Texas – prometo que não vou roubar sua namorada”, publicou na rede social.

    Ele ainda comentou que a gíria faz parte de uma música de Zeca Pagodinho.

    Fonte: Agência Brasil (Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Derrota de Trump pode frear política de intervenções na América Latina

    Derrota de Trump pode frear política de intervenções na América Latina

    A derrota histórica do presidente Donald Trump nos Estados Unidos (EUA), que levou os republicanos a perderem maioria na Câmara e no Senado, pode contribuir para frear a política de intervenções da Casa Branca na América Latina, além de incentivar Washington a chegar a um acordo com o Brasil no caso das tarifas comerciais.

    A política externa de Trump vem defendendo a “proeminência” de Washington na região, incluindo a defesa da “dominação” dos EUA no continente com medidas para bloquear a influência econômica da China nos países latino-americanos e caribenhos.

    Essa política foi marcada pela invasão da Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro em janeiro de 2026, e posterior acordo petroleiro com Caracas, que reservou 21% do petróleo do país para uma empresa ligada ao Pentágono, dos EUA, com parte do óleo a ser vendido pelo preço de custo.

    A professora de Relações Internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que um Congresso de maioria democrata vai impor uma série de limites para Trump, como na autorização de gastos para ações no exterior, e na abertura de investigações contra membros do Executivo.

    “No âmbito da defesa, isso vai ser muito importante. Eu imagino que o Congresso tende a sustar os gastos desse setor. Na América Latina, isso tende a ser percebido, inclusive, dentro do Escudo das Américas, com talvez menos recursos e menos ênfase a essa política. Portanto, pode vir a representar um freio para interromper essas políticas intervencionistas”, avalia.

    Uma das iniciativas que marca a política de Trump neste segundo mandato é o Escudo das Américas, criado sob a justificativa de combater os cartéis de drogas, mas que tem sido apontado instrumento de interferência dos EUA na região.

    Na Bolívia, o Escudo das Américas foi usado para prender o procurador-geral do país, Roger Mariaca, por uma acusação de colaboração com o narcotráfico. A prisão de Mariaca levantou suspeitas porque ele investigava o operador digital Fernando Cerimedo, ligado ao movimento de Trump nos EUA, e que atuou como assessor dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e da própria Bolívia, Rodrigo Paz.

    Tarifas

    Entre outras medidas da Casa Branca, o tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump contra o Brasil vem sendo interpretado pelo governo brasileiro como uma interferência política que mirou as eleições de outubro a favor do adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O doutor em Ciência Política Juliano Machado Pires avalia que a derrota eleitoral desta terça-feira (3) deve funcionar como um incentivo para o governo Trump chegar a um acordo com o Brasil.

    “Se eles aprenderam algo com a derrota, é que a economia precisa melhorar. Comprar briga com o Brasil neste momento não faz o menor sentido”, disse à Agência Brasil.

    Juliano acrescentou ainda que o secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, responsável pela política externa do governo Trump, deve ficar mais ocupado dando explicações ao Congresso agora com maioria democrata.

    “Eles precisam de uma série de acordos que eles têm interesse no Brasil, em várias áreas, como nas tarifas, terras raras e data centers. Se eles forem racionais, é o momento de fazer as pazes com o governo brasileiro”, disse.

    Juliano Machado não descarta, no entanto, a possibilidade de o governo Trump buscar criar “factóides” no exterior para desviar a atenção de problemas internos.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Guerra, economia, IA e casos de corrupção derrotam Trump nos EUA

    Guerra, economia, IA e casos de corrupção derrotam Trump nos EUA

    O aumento do custo de vida nos Estados Unidos (EUA), a guerra contra o Irã e os escândalos de corrupção envolvendo a administração de Donald Trump explicam a derrota histórica na eleição de meio de mandato que tirou a maioria dos republicanos tanto na Câmara, quanto no Senado.

    Os republicanos ainda foram derrotados em estados historicamente vermelhos, que é a cor do partido de Trump, como no Texas, na Carolina do Sul, no Kansas, em Ohio e em Iowa.

    No caso do Texas, fazia 38 anos que um democrata não se elegia pelo estado.

    Pesquisas de opinião têm apontado que o resultado é uma rejeição à política de Trump na Casa Branca, que se envolveu pessoalmente na campanha nas últimas semanas. A emissora NBC News escutou eleitores na boca da urna que culpam Trump pela piora em indicadores econômicos.

    “Mais da metade (65%) afirma que as políticas de Trump pioraram a economia; 62% disseram que ele é responsável pelos altos preços”, escreveu a emissora estadunidense.

    Preocupações com as políticas sobre Inteligência Artificial (IA), em que Trump defende que não haja regulação, também foram apontadas pelos norte-americanos como motivo para decidir o voto.

    “As preocupações com a IA também estavam entre os principais assuntos dos eleitores: 57% disseram que a IA fará mais mal do que bem à sociedade. Uma grande maioria, 76%, disse ser contra a construção de data centers em suas comunidades”, diz a pesquisa.

    A guerra contra o Irã foi outro fator que levou os eleitores a rejeitar a política de Trump e dar a maior vitória aos democratas em décadas. “Sessenta e três por cento disseram que os EUA tomaram a decisão errada ao entrar com uma ação militar contra o Irã”, diz o levantamento.

    A maioria dos eleitores (57%) disse ainda que suas políticas contra a imigração “foram longe demais”, e a corrupção foi outro fator “crucial” na decisão dos eleitores.

    A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que as pessoas votaram em Trump esperando uma resposta a questões internas dos EUA, que não foram cumpridas.

    “As pessoas tinham esperança de que Trump adotasse políticas mais voltadas para dentro dos EUA, voltadas para questões materiais da população que está cada vez mais estagnada financeiramente”, afirmou.

    Camila acrescentou que as pessoas têm que trabalhar em dois ou três empregos para chegar ao fim do mês, em um país onde a saúde é totalmente privatizada e requer altos gastos.

    Corrupção

    O professor de história da Universidade de Brown, nos EUA, James N. Green, destacou à Agência Brasil que o resultado é muito pior para os republicanos do que todos esperavam. “É o começo e o fim do poder do Donald Trump”, disse.


    Professor da Universidade de Brown, James N. Green, diz que resultado “è o começo e o fim do poder de Donald Trump” – Foto James Green/ Wikipédia

    Para o especialista, a corrupção, que não estava entre as principais preocupações dos eleitores, ganhou importância nos últimos meses e durante a campanha.

    “Isso devido à maneira como a família do Trump está, de maneira muito descarada, roubando ou utilizando sua influência e seus poderes, para fazer muito dinheiro. Isso está causando uma grande insatisfação entre pessoas que, no passado, tinham votado nele”, disse.

    O presidente dos EUA tem sido acusado de favorecer os negócios da família, incluindo suspeitas de manipulação no mercado de ações da bolsa, por meio de acesso a informações privilegiadas para especulação financeira.

    O The New York Times ganhou o prêmio Pulitzer de 2026, um dos mais importantes prêmios jornalísticos do mundo, revelando “os conflitos de interesse e o enriquecimento ilícito desenfreados que assolam o governo Trump”.

    Outra reportagem, do The Washington Post, revelou que 15 empresas dos filhos de Trump arrecadaram US$ 3,2 bilhões em contratos federais, a maioria depois que o republicano assumiu a Casa Branca pela segunda vez.

    O professor James N. Green comentou que, enquanto isso, Trump passava muito tempo falando sobre as reformas da Casa Branca. “As pessoas ficam revoltadas com isso porque o presidente está meio fora da realidade, meio perdido”, disse.

    Na avaliação do professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Borba Casella, os abusos cometidos por Trump na Casa Branca, incluindo a guerra contra o Irã, foram decisivos para a derrota republicana.


    Professor de direito internacional da USP, Paulo Borba Casella, atribui derrota de Trump a abusos cometidos durante gestão – Foto Paulo Borba Casella/Arquivo Pessoal

    “É essa combinação de desmandos políticos e de má gestão na economia que pode contribuir para explicar a derrota. E também o desgaste da imagem do presidente Trump e da sua administração com todos os erros que tem cometido”.

    Economia

    A economia durante o governo do democrata Joe Biden (2020-2024) foi apontada como um dos fatores que levou à vitória de Trump em 2024. Dessa vez, o aumento no custo de vida dos estadunidenses parece ter se voltado contra o republicano.

    A política de tarifas contra importações encareceu diversos produtos dentro dos EUA. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após o ataque de Trump contra o país persa, contribuiu para elevar os preços da gasolina e do diesel, com impacto em toda a economia.

    “Eu que sou da classe média, e vivo bem, fiquei surpreendido como aumentaram os preços. As pessoas estão culpando o Trump por causa da política de tarifa e por causa da guerra no Irã”, explicou o professor James Green.

    Freio à extrema-direita

    O professor Paulo Borba Casella, da USP, disse ainda à Agência Brasil que a derrota dos republicanos é um recado para os governos de extrema-direita no mundo que têm políticas hostis contra minorias, contra liberdades e direitos fundamentais.

    “Esse resultado sinaliza um arrefecimento dessa onda de regimes à direita que tem aparecido, como ocorreu em vários países da América Latina. Além do contraponto feito com o resultado da eleição no Brasil, a eleição nos EUA pode significar uma mudança nessa maré de direita autoritária, conservadora e reacionária”, concluiu.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Democratas conquistam Congresso em esmagadora rejeição a Trump

    Democratas conquistam Congresso em esmagadora rejeição a Trump

    Os democratas assumiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara nessa terça-feira (3), obtendo vitórias esmagadoras em redutos republicanos pela primeira vez em gerações. Dezenas de milhões de eleitores enviaram, com isso, uma crítica contundente ao presidente Donald Trump.

    Os eleitores dos redutos conservadores, que haviam levado o presidente ao seu segundo mandato há apenas dois anos, mudaram drasticamente de lado em favor dos democratas, impulsionados pela frustração com a impopular guerra contra o Irã, pelo alto custo de vida e pela raiva contra a forma como Trump tem governado o país.

    O Kansas elegeu seu primeiro senador democrata desde a Grande Depressão, há quase um século. Na Carolina do Sul, estado onde Trump venceu por quase 18 pontos em 2024, os democratas derrotaram o candidato ao Senado escolhido a dedo por ele.

    No Texas, o maior Estado republicano, os democratas encerraram uma sequência de derrotas que durava décadas de forma arrasadora, conquistando uma cadeira no Senado e destituindo o governador Greg Abbott, que cumpria o terceiro mandato.

    Os resultados darão início a uma nova era de governo dividido em Washington, após dois anos em que o Congresso, controlado pelos republicanos, raramente exerceu seu poder para conter Trump.

    Assim que assumirem os cargos em janeiro, espera-se que os democratas usem seu poder para investigar o governo Trump, sua família e seus aliados, além de exigir concessões em relação a importantes projetos de lei. O Senado democrata poderá bloquear os indicados por Trump, incluindo quaisquer juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos (EUA), caso surja uma vaga.

    “Há agora uma reformulação geracional do mapa do Senado que vai mudar os Estados Unidos”, disse Chuck Schumer, líder da minoria do partido no Senado. “Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido.”

    Trump, que está impedido pela Constituição norte-americana de concorrer a um terceiro mandato, exerceu controle férreo sobre seu partido durante a maior parte da última década. Mas o novo equilíbrio de poder em Washington pode acelerar sua condição de presidente em fim de mandato, à medida que a atenção se volta para a corrida presidencial de 2028 e os potenciais sucessores começam a disputar influência política em um mundo pós-Trump.

    Apesar das preocupações dos democratas de que Trump pudesse tentar anular os resultados eleitorais, como fez em 2020, o presidente aceitou o resultado, parabenizando os democratas em entrevista à Fox News. Ele também disse que trabalharia com os democratas em questões como a imigração, embora tenha ameaçado vetar qualquer projeto de lei “insano” que eles aprovassem.

    *É proibida a reprodução deste conteúdo.

    Fonte: Agência Brasil (Joseph Ax, Brad Heath e Jason Lange – Repórteres da Reuters*). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.