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Categoria: Notícias

  • Unicef: nenhum país do G20 tem maioridade penal abaixo dos 18 anos

    Unicef: nenhum país do G20 tem maioridade penal abaixo dos 18 anos

    Nenhum dos 19 países que integram o G20, grupo das maiores economias do mundo, tem maioridade penal inferior aos 18 anos. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O mesmo vale para países da América Latina, ressaltou a organização ao publicizar os dados.

    A maioridade penal é a idade em que a pessoa começa a ser julgada como adulto, podendo ser condenada a cumprir penas no sistema prisional comum.

    O G20 é formado pelos 19 países com o maior produto interno bruto (PIB) do mundo, além de dois blocos regionais: a União Europeia e a União Africana.

    Responsabilização proporcional

    Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, o G20 concentra os países mais ricos do mundo e 60% da população mundial. E esses países “concordam que é possível responsabilizar um adolescente sem tratá-lo como adulto”.

    “Misturar adolescentes e adultos no mesmo sistema prisional pode fazer o contrário do esperado: em vez de afastá-los do crime, pode aproximá-los de redes criminosas mais estruturadas, ao mesmo tempo em que rompe seus vínculos com a escola, a família e a comunidade”, ressalta Gonzalez-Aleman.

    O levantamento também analisou as idades mínimas de responsabilização criminal, quando um adolescente já pode responder na Justiça, mas em um sistema específico para sua faixa etária. Veja abaixo:

    Idade mínima para responsabilização no G20

    • Arábia Saudita e Índia: 7 anos;
    • Reino Unido, Estados Unidos e Austrália: 10 a 12 anos;
    • Brasil, África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia: 12 anos;
    • França: 13 anos;
    • Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Itália, Japão e Rússia: 14 anos;
    • China: 16 anos.

    Idade mínima para responsabilização na América Latina

    • Brasil, Costa Rica, El Salvador, Equador, Honduras, México e Panamá: 12 anos;
    • Guatemala, Haiti, República Dominicana e Uruguai: 13 anos;
    • Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela: 14 anos;
    • Cuba: 16 anos.

    Posição do Unicef

    De acordo com Gonzalez-Aleman, o Unicef defende que responsabilizar adolescentes que cometem atos infracionais é necessário. Mas para isso, não é preciso tratá-los como adultos.

    “Já estamos responsabilizando as crianças a partir dos 12 anos quando elas cometem infração. A questão é que não é preciso levá-las para uma prisão. Vamos levá-las para sistema socioeducativo, vamos tentar recuperar essa criança, porque também temos evidência que a reincidência é muito menor no sistema socioeducativo que nas prisões para adultos”, afirma.

    Exceções

    Apesar de nenhum país do G20 prever que menores de 18 anos sejam julgados como adultos de forma geral, algumas nações do grupo estabelecem exceções, como Estados Unidos, Arábia Saudita, Índia, Canadá, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul.

    Já entre os 20 países analisados na América Latina, apenas Cuba tem exceções para a maioridade penal aos 18 anos.

    O Unicef não descreve as exceções mas nos Estados Unidos, por exemplo, alguns tipos de agravantes no crime podem fazer com que as varas da infância remetam os casos para juizados criminais, como o uso de violência, de arma ou a existência de antecedentes criminais.

    PEC da Segurança Pública

    O debate sobre a redução da maioridade penal voltou ao Congresso nesta semana, durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto foi aprovado no Senado Federal sem as emendas que buscavam equiparar os adolescentes aos adultos.

    A PEC é uma das prioridades do atual governo para a área da segurança, mas os senadores discutiram a inclusão de emendas de plenário que tratavam da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, ou até mesmo para 14 anos.

    O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), não acolheu as emendas no relatório final, mas recomendou que elas constituíssem propostas autônomas que pudessem tramitar em conjunto e serem votadas posteriormente em separado.

    Fonte: Agência Brasil (Vitor Abdala – repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Derrota de Trump pode frear política de intervenções na América Latina

    Derrota de Trump pode frear política de intervenções na América Latina

    A derrota histórica do presidente Donald Trump nos Estados Unidos (EUA), que levou os republicanos a perderem maioria na Câmara e no Senado, pode contribuir para frear a política de intervenções da Casa Branca na América Latina, além de incentivar Washington a chegar a um acordo com o Brasil no caso das tarifas comerciais.

    A política externa de Trump vem defendendo a “proeminência” de Washington na região, incluindo a defesa da “dominação” dos EUA no continente com medidas para bloquear a influência econômica da China nos países latino-americanos e caribenhos.

    Essa política foi marcada pela invasão da Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro em janeiro de 2026, e posterior acordo petroleiro com Caracas, que reservou 21% do petróleo do país para uma empresa ligada ao Pentágono, dos EUA, com parte do óleo a ser vendido pelo preço de custo.

    A professora de Relações Internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que um Congresso de maioria democrata vai impor uma série de limites para Trump, como na autorização de gastos para ações no exterior, e na abertura de investigações contra membros do Executivo.

    “No âmbito da defesa, isso vai ser muito importante. Eu imagino que o Congresso tende a sustar os gastos desse setor. Na América Latina, isso tende a ser percebido, inclusive, dentro do Escudo das Américas, com talvez menos recursos e menos ênfase a essa política. Portanto, pode vir a representar um freio para interromper essas políticas intervencionistas”, avalia.

    Uma das iniciativas que marca a política de Trump neste segundo mandato é o Escudo das Américas, criado sob a justificativa de combater os cartéis de drogas, mas que tem sido apontado instrumento de interferência dos EUA na região.

    Na Bolívia, o Escudo das Américas foi usado para prender o procurador-geral do país, Roger Mariaca, por uma acusação de colaboração com o narcotráfico. A prisão de Mariaca levantou suspeitas porque ele investigava o operador digital Fernando Cerimedo, ligado ao movimento de Trump nos EUA, e que atuou como assessor dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e da própria Bolívia, Rodrigo Paz.

    Tarifas

    Entre outras medidas da Casa Branca, o tarifaço aplicado pelo governo Donald Trump contra o Brasil vem sendo interpretado pelo governo brasileiro como uma interferência política que mirou as eleições de outubro a favor do adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    O doutor em Ciência Política Juliano Machado Pires avalia que a derrota eleitoral desta terça-feira (3) deve funcionar como um incentivo para o governo Trump chegar a um acordo com o Brasil.

    “Se eles aprenderam algo com a derrota, é que a economia precisa melhorar. Comprar briga com o Brasil neste momento não faz o menor sentido”, disse à Agência Brasil.

    Juliano acrescentou ainda que o secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, responsável pela política externa do governo Trump, deve ficar mais ocupado dando explicações ao Congresso agora com maioria democrata.

    “Eles precisam de uma série de acordos que eles têm interesse no Brasil, em várias áreas, como nas tarifas, terras raras e data centers. Se eles forem racionais, é o momento de fazer as pazes com o governo brasileiro”, disse.

    Juliano Machado não descarta, no entanto, a possibilidade de o governo Trump buscar criar “factóides” no exterior para desviar a atenção de problemas internos.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Enem 2026: MEC garante segurança da prova e mantém regras da redação

    Enem 2026: MEC garante segurança da prova e mantém regras da redação

    O ministro da Educação (MEC), Leonardo Barchini, garantiu, nesta quarta-feira (4), a segurança e lisura da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos próximos dois domingos, dias 8 e 15 de novembro para mais de 5,05 milhões de pessoas inscritas confirmadas.

    A declaração aborda o episódio de 2025 em que houve a circulação, nas redes sociais, de itens semelhantes às questões da última edição do Enem. À época, o MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram que não houve vazamento oficial da prova pelo influenciador investigado. Para este ano, o Inep reformulou o protocolo da pré-testagem das questões do exame.

    “Como é uma prova com Teoria de Resposta ao Item [TRI], a gente tem que pré-testar a questão para saber seu grau de dificuldade. O Inep fez esses pré-testes de outra maneira, alterou completamente esse protocolo. Há [ainda] o protocolo de confidencialidade e o Inep tem as suas estratégias. Nem o ministro fica sabendo como testam. É bom eu nem saber e ninguém saber”, avaliou o ministro da Educação.

    De acordo com Leonardo Barchini, a coincidência entre abordagens é comum em exames em larga escala no mundo todo, dada a limitação de formatos para cobrar determinados temas.

    As declarações de Leonardo Barchini foram dadas durante o programa ‘Bom Dia, Ministro’, produzido pelo Canal Gov, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    Sobre a divulgação do conteúdo sob suspeita, a Polícia Federal foi acionada para apurar a conduta dos envolvidos.

    O ministro também destacou que a análise dos resultados da edição anterior indicou que a circulação de itens parecidos não gerou discrepâncias ou notas fora da curva que comprometessem o certame.

    Nada muda na redação

    O ministro da Educação também reforçou que a estrutura e os critérios da redação não sofreram alterações em relação ao modelo tradicional para tranquilizar os participantes.

    Leonardo Barchini confirmou que as alterações estão em estudo pela pasta e somente devem ser implementadas em dois anos.

    “Não houve mudanças com relação à redação. A gente está discutindo mudanças que serão aplicadas só a partir de 2028. Os estudantes devem ficar tranquilos que esse ano a prova vai ser muito semelhante à prova do ano anterior, com a mesma estrutura da prova. A gente, sim, vai modernizar o Enem, mas isso é um debate para 2028.”

    Enem e o Saeb

    A partir de 2026, o Enem integra oficialmente o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para medir a qualidade do ensino médio no Brasil.

    O ministro da Educação considera que a inclusão desta função ao Enem irá gerar um diagnóstico mais completo e fidedigno das redes de educação de todo o país do que a Prova Brasil, realizada até o ano passado em todas as escolas das públicas brasileiras no terceiro ano do ensino médio, também no mês de novembro. “Com o Enem, vamos estar em ambiente controlado.

    [O participante] tem o estímulo para fazer a prova, porque o Enem serve também para ingresso na universidade. Os estudantes vão fazer a prova para valer mesmo e nós vamos avaliar.”

    Além de português e matemática que era avaliado na Prova Brasil, o MEC irá analisar os desempenhos nas demais disciplinas, como história, geografia, filosofia, sociologia, química, física e biologia. “Teremos um diagnóstico muito melhor, muito mais fidedigno da educação básica brasileira.

    O Enem 2026 vai funcionar como um teste experimental de avaliação global da educação básica, antes de se tornar obrigatório no ano seguinte.

    A meta de participação dos concluintes da rede pública subiu de 55% (ano anterior) para 70% este ano, visando atingir 80% no próximo ano. “Eventualmente, se tiver alguma escola que não atingiu, nós vamos tratar esses casos especificamente, mas no geral há uma confiança muito grande que a gente chegue nos 70% de frequência mínima no Exame Nacional de Ensino Médio”, estima o ministro.

    O Enem continua sendo o principal método de acesso ao ensino superior – via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

    Locais de provas e transporte

    O ministro confirmou que o MEC está em articulação com as secretarias municipais de educação e com prefeituras para disponibilizar o transporte público adequado nos domingos de aplicação das provas.

    No entanto, a estimativa do MEC é que cerca de 80% dos concluintes da rede pública realizem o Enem na mesma escola em que estudam ou muito perto da residência, reduzindo a necessidade de grandes deslocamentos.

    Além do apoio logístico de transporte, o ministro orienta o acesso com antecedência à Página do Participante do Enem ,no site do Inep.

    Para aqueles que não irão fazer o Enem bem perto da sua casa, sugiro que acesse a Página do Participante, veja seu local de prova, faça o trajeto antes, veja, especificamente, quais são as linhas de ônibus disponíveis.”

    Enem

    Nos dois domingos de provas, 8 e 15 de novembro, a abertura dos portões está marcada para 12h, sempre no horário oficial de Brasília.

    O fechamento ocorrerá às 13h, quando ninguém mais poderá entrar no local de aplicação das provas. Estas terão início oficialmente às 13h30.

    No próximo domingo (8), mais de 5 milhões de candidatos inscritos confirmados terão cinco horas e 30 minutos para responder às questões, marcar o cartão-resposta e preencher a folha de redação.

    Os participantes farão as provas com 90 questões objetivas, sendo 45 de linguagens, códigos e suas tecnologias (incluindo língua portuguesa, literatura, educação física, artes e a língua estrangeira escolhida: inglês ou espanhol); e as demais 45 questões são de ciências humanas e suas tecnologias (história, geografia, filosofia e sociologia); além da prova de redação.

    No segundo domingo, serão aplicadas as provas de matemática e suas tecnologias ciências da natureza (química, física e biologia) e suas tecnologias, com duração de cinco horas.

    Fonte: Agência Brasil (Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Guerra, economia, IA e casos de corrupção derrotam Trump nos EUA

    Guerra, economia, IA e casos de corrupção derrotam Trump nos EUA

    O aumento do custo de vida nos Estados Unidos (EUA), a guerra contra o Irã e os escândalos de corrupção envolvendo a administração de Donald Trump explicam a derrota histórica na eleição de meio de mandato que tirou a maioria dos republicanos tanto na Câmara, quanto no Senado.

    Os republicanos ainda foram derrotados em estados historicamente vermelhos, que é a cor do partido de Trump, como no Texas, na Carolina do Sul, no Kansas, em Ohio e em Iowa.

    No caso do Texas, fazia 38 anos que um democrata não se elegia pelo estado.

    Pesquisas de opinião têm apontado que o resultado é uma rejeição à política de Trump na Casa Branca, que se envolveu pessoalmente na campanha nas últimas semanas. A emissora NBC News escutou eleitores na boca da urna que culpam Trump pela piora em indicadores econômicos.

    “Mais da metade (65%) afirma que as políticas de Trump pioraram a economia; 62% disseram que ele é responsável pelos altos preços”, escreveu a emissora estadunidense.

    Preocupações com as políticas sobre Inteligência Artificial (IA), em que Trump defende que não haja regulação, também foram apontadas pelos norte-americanos como motivo para decidir o voto.

    “As preocupações com a IA também estavam entre os principais assuntos dos eleitores: 57% disseram que a IA fará mais mal do que bem à sociedade. Uma grande maioria, 76%, disse ser contra a construção de data centers em suas comunidades”, diz a pesquisa.

    A guerra contra o Irã foi outro fator que levou os eleitores a rejeitar a política de Trump e dar a maior vitória aos democratas em décadas. “Sessenta e três por cento disseram que os EUA tomaram a decisão errada ao entrar com uma ação militar contra o Irã”, diz o levantamento.

    A maioria dos eleitores (57%) disse ainda que suas políticas contra a imigração “foram longe demais”, e a corrupção foi outro fator “crucial” na decisão dos eleitores.

    A professora de relações internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou à Agência Brasil que as pessoas votaram em Trump esperando uma resposta a questões internas dos EUA, que não foram cumpridas.

    “As pessoas tinham esperança de que Trump adotasse políticas mais voltadas para dentro dos EUA, voltadas para questões materiais da população que está cada vez mais estagnada financeiramente”, afirmou.

    Camila acrescentou que as pessoas têm que trabalhar em dois ou três empregos para chegar ao fim do mês, em um país onde a saúde é totalmente privatizada e requer altos gastos.

    Corrupção

    O professor de história da Universidade de Brown, nos EUA, James N. Green, destacou à Agência Brasil que o resultado é muito pior para os republicanos do que todos esperavam. “É o começo e o fim do poder do Donald Trump”, disse.


    Professor da Universidade de Brown, James N. Green, diz que resultado “è o começo e o fim do poder de Donald Trump” – Foto James Green/ Wikipédia

    Para o especialista, a corrupção, que não estava entre as principais preocupações dos eleitores, ganhou importância nos últimos meses e durante a campanha.

    “Isso devido à maneira como a família do Trump está, de maneira muito descarada, roubando ou utilizando sua influência e seus poderes, para fazer muito dinheiro. Isso está causando uma grande insatisfação entre pessoas que, no passado, tinham votado nele”, disse.

    O presidente dos EUA tem sido acusado de favorecer os negócios da família, incluindo suspeitas de manipulação no mercado de ações da bolsa, por meio de acesso a informações privilegiadas para especulação financeira.

    O The New York Times ganhou o prêmio Pulitzer de 2026, um dos mais importantes prêmios jornalísticos do mundo, revelando “os conflitos de interesse e o enriquecimento ilícito desenfreados que assolam o governo Trump”.

    Outra reportagem, do The Washington Post, revelou que 15 empresas dos filhos de Trump arrecadaram US$ 3,2 bilhões em contratos federais, a maioria depois que o republicano assumiu a Casa Branca pela segunda vez.

    O professor James N. Green comentou que, enquanto isso, Trump passava muito tempo falando sobre as reformas da Casa Branca. “As pessoas ficam revoltadas com isso porque o presidente está meio fora da realidade, meio perdido”, disse.

    Na avaliação do professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Borba Casella, os abusos cometidos por Trump na Casa Branca, incluindo a guerra contra o Irã, foram decisivos para a derrota republicana.


    Professor de direito internacional da USP, Paulo Borba Casella, atribui derrota de Trump a abusos cometidos durante gestão – Foto Paulo Borba Casella/Arquivo Pessoal

    “É essa combinação de desmandos políticos e de má gestão na economia que pode contribuir para explicar a derrota. E também o desgaste da imagem do presidente Trump e da sua administração com todos os erros que tem cometido”.

    Economia

    A economia durante o governo do democrata Joe Biden (2020-2024) foi apontada como um dos fatores que levou à vitória de Trump em 2024. Dessa vez, o aumento no custo de vida dos estadunidenses parece ter se voltado contra o republicano.

    A política de tarifas contra importações encareceu diversos produtos dentro dos EUA. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, após o ataque de Trump contra o país persa, contribuiu para elevar os preços da gasolina e do diesel, com impacto em toda a economia.

    “Eu que sou da classe média, e vivo bem, fiquei surpreendido como aumentaram os preços. As pessoas estão culpando o Trump por causa da política de tarifa e por causa da guerra no Irã”, explicou o professor James Green.

    Freio à extrema-direita

    O professor Paulo Borba Casella, da USP, disse ainda à Agência Brasil que a derrota dos republicanos é um recado para os governos de extrema-direita no mundo que têm políticas hostis contra minorias, contra liberdades e direitos fundamentais.

    “Esse resultado sinaliza um arrefecimento dessa onda de regimes à direita que tem aparecido, como ocorreu em vários países da América Latina. Além do contraponto feito com o resultado da eleição no Brasil, a eleição nos EUA pode significar uma mudança nessa maré de direita autoritária, conservadora e reacionária”, concluiu.

    Fonte: Agência Brasil (Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Lei Rouanet tem recorde de 25,6 mil projetos e de R$ 1,67 bi captados

    Lei Rouanet tem recorde de 25,6 mil projetos e de R$ 1,67 bi captados

    Encerrado o período de apresentação de propostas, a Lei Rouanet registrou 25.650 projetos culturais em 2026. Apenas nos dez primeiros meses do ano, foram captados R$ 1,67 bilhão em incentivo. Os números são recorde desde a criação da norma, em 1991.

    O prazo para envio de propostas terminou em 31 de outubro. A quantidade de proposições recepcionadas cresceu 11,6%, na comparação com 2025, quando foram inscritos 22.990 projetos. Em relação à captação de recursos, a alta foi de 3,5% na comparação com os R$ 1,67 bilhão registrados no mesmo período do ano passado.

    De acordo com o Ministério da Cultura, o crescimento está relacionado à ampliação da participação de regiões e públicos historicamente menos contemplados, por meio dos programas Rouanet Norte, Rouanet Nordeste, Rouanet Centro-Oeste e Rouanet nas Favelas.

    Regiões priorizadas

    Segundo a pasta, os dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) mostram crescimento da captação nas três regiões priorizadas, além de refletirem ações de orientação e formação para a apresentação de projetos.

    Entre 2023 e 2025, o Centro-Oeste passou de R$ 65,5 milhões para R$ 129,9 milhões (aumento de 98,3%). No Norte, os valores avançaram de R$ 64,7 milhões para R$ 119,5 milhões – 84,8% a mais). No Nordeste, a captação subiu de R$ 148,5 milhões para R$ 239,2 milhões; crescimento de 61,1%.

    Juntas, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste somaram 7.238 propostas, alta de 54,5% na comparação com as 4.684 registradas em 2024.

    O que é a Lei Rouanet

    Criada em 1991, a Lei Rouanet permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda devido para financiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

    Os projetos são inscritos no sistema Salic por artistas, produtores e instituições culturais. As propostas passam por análise técnica e legal antes de receber autorização para captar recursos.

    A aprovação não garante recursos para o projeto, apenas autoriza o proponente a buscar patrocínios e doações de empresas e contribuintes que usam o incentivo fiscal previsto na lei.

    Após atingir o valor mínimo de captação exigido, o projeto pode ser executado. As iniciativas devem oferecer contrapartidas para ampliar o acesso à cultura, como ingressos gratuitos ou a preços populares, além de garantir acessibilidade.

    Durante a execução, os recursos e as atividades são acompanhados pelo ministério. Ao final, os responsáveis precisam prestar contas da aplicação dos recursos e do cumprimento das metas previstas. Irregularidades podem resultar em sanções e devolução de valores.

    Fonte: Agência Brasil (Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Anvisa aprova primeiro medicamento de GLP-1 oral para obesidade

    Anvisa aprova primeiro medicamento de GLP-1 oral para obesidade

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4), o registro para o medicamento Wegovy (semaglutida) com administração por via oral. O remédio só era disponível no Brasil na forma de solução injetável para administração subcutânea.

    A nova apresentação prevê administração de comprimidos uma vez ao dia, com escalonamento progressivo de dosagem, iniciando com 1,5 miligramas (mg) e avançando para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose diária de manutenção recomendada, fixada em 25 mg.

    O medicamento deve ser tomado em jejum, com pequena quantidade de água, aguardando-se pelo menos 30 minutos antes da ingestão de alimentos, bebidas ou outros medicamentos.

    O produto é indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso (associado a comorbidades) em adultos, como complemento a uma dieta saudável e à prática de atividade física.

    O medicamento é o primeiro agonista do hormônio glucagon tipo 1 (GLP-1) em formato oral aprovado para uso no país.

    “A semaglutida atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade”, diz a Anvisa.

    Terapia

    Para a agência reguladora, a chegada da nova apresentação traz mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde, o que inclui a possibilidade de transição entre as formulações oral e subcutânea, quando clinicamente apropriado, de acordo com as orientações aprovadas em bula.

    A aprovação do registro teve como principal sustentação os resultados do estudo clínico pivotal de fase 3, denominado OASIS 4, que avaliou a eficácia da semaglutida oral na dosagem de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

    Durante a pesquisa, que acompanhou os participantes ao longo de 64 semanas, o grupo tratado com a medicação registrou uma perda média de peso corporal superior a 13%. Além do desempenho significativamente superior ao do grupo placebo, o tratamento promoveu melhora em diversos marcadores de saúde cardiometabólica dos pacientes.

    Doença crônica

    A obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial, associada ao aumento do risco de diversas condições clínicas, incluindo diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, doença cardiovascular e apneia obstrutiva do sono.

    Fonte: Agência Brasil (Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Urbanização em favelas quase triplicou e vegetação diminuiu em 40 anos

    Urbanização em favelas quase triplicou e vegetação diminuiu em 40 anos

    A área urbanizada em favelas e comunidades no Brasil passou de 60,2 mil hectares para 151,7 mil hectares entre os anos de 1985 e 2025. A vegetação existente em cada hectare urbanizado nas comunidades caiu de 0,060 para 0,040 no mesmo período.

    Embora as pessoas associem favelas com áreas urbanas, nem todas são caracterizadas dessa forma, por não terem alta concentração de edificação, vias de circulação e infraestrutura.

    Os dados são de um novo recorte da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (4). Segundo Júlio Cesar Pedrassoli, coordenador do tema Urbano, o estudo demonstra que o encolhimento das áreas verdes em favelas as torna mais suscetíveis aos eventos climáticos adversos.

    “Para adaptar as cidades às mudanças climáticas, precisamos olhar para onde o verde se perdeu e onde os territórios ficam mais expostos, e esse mapa precisa incluir as favelas”, diz.

    Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação intraurbana do que as demais áreas urbanas do país. Em 2025, a situação se inverteu e a disponibilidade de vegetação intraurbana nas favelas era 15% menor do que nas demais áreas urbanizadas.

    No período de 40 anos, a vegetação intraurbana nas favelas cresceu apenas 1,7 vezes, enquanto nas áreas urbanizadas fora delas aumentou 2,6 vezes.

    Também cresceram 2,6 vezes as áreas urbanizadas sem vegetação nas favelas, enquanto nas áreas urbanizadas fora das favelas o crescimento de locais sem vegetação foi menor, com aumento de 2,3 vezes

    Em 2025, havia 12,3 mil favelas no país, distribuídas em 651 municípios, sendo que 60,3% da urbanização existente nesses locais surgiram após 1985 e, nesse período de 40 anos, 42,4% pelo menos dobraram de tamanho.

    O crescimento das áreas urbanizadas no território nacional foi de 132% no período, quando passou de 1,9 milhão para 4,4 milhões de hectares, somando mais de 2,5 milhões de hectares. Já a participação das favelas em áreas urbanizadas no país cresceu pouco, passando de 3,2%, em 1985, para 3,4% em 2025.

    Apesar do crescimento das áreas urbanizadas, a vegetação urbana total, que reúne a vegetação intraurbana e a periurbana – localizada nos arredores – diminuiu de 6,5 milhões para 4,1 milhões de hectares, o equivalente a uma redução de 35,9%.

    Com a queda, a área sem vegetação nas regiões urbanizadas do país chegou, em 2025, a 4,24 milhões de hectares.

    O estudo cruza ainda esses dados com a temperatura em áreas urbanizadas, que apontam intensidades média maior nas ilhas de calor em áreas com menos de 10% de cobertura vegetal. Nesses locais, o verão pode ser até 7 °C mais quente que em áreas não urbanizadas com cobertura verde.

    Para Pedrassoli, esse número trazem uma reflexão sobre resiliência climática, soluções baseadas na natureza e qualidade de vida urbana.

    “Pela primeira vez na série, a área urbanizada sem vegetação supera a área da vegetação urbana. Em 1985, a vegetação era 3,5 vezes maior que a área sem vegetação. É um marco que mostra o quanto o desenho das nossas cidades depende do quanto de verde conseguimos preservar e, ao mesmo tempo, incorporar na mancha urbana”, conclui.

    Fonte: Agência Brasil (Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

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  • Painel permite analisar mudanças climáticas no Brasil e América Latina

    Painel permite analisar mudanças climáticas no Brasil e América Latina

    O governo federal e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) lançaram nessa terça-feira (3) um painel que permite explorar como as mudanças climáticas podem alterar a temperatura e o regime de chuva no Brasil e na América Latina nas próximas décadas.

    A ferramenta integra o AdaptaBrasil, plataforma que reúne indicadores de risco climático para os 5.570 municípios brasileiros, considerando fatores como ameaças climáticas, exposição e vulnerabilidade. Essas informações ajudam a identificar áreas mais suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas e a orientar decisões sobre medidas de adaptação. Com o novo painel, a plataforma passa a oferecer também mapas com projeções de mudanças na temperatura e na precipitação sob diferentes níveis de aquecimento global.

    Durante o lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, disse que o governo federal tem trabalhado para tornar a adaptação à mudança do clima uma agenda prioritária, estratégica e transversal.

    “Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país”.

    Melo explicou que a medida envolve a forma como enfrentamos nossas vulnerabilidades socioeconômicas, que são históricas, mas foram agravadas nesse contexto em que a mudança do clima se materializa, se faz presente e desafia as várias agendas e políticas de desenvolvimento setoriais.”

    O coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, destacou que o governo federal está disponibilizando, por meio do AdaptaBrasil, informações relevantes no contexto da adaptação.

    “São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”, apontou.

    Indicadores

    O painel reúne indicadores de temperatura e precipitação, incluindo os relacionados a eventos extremos, para quatro níveis de aquecimento global: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Os mapas também permitem comparar as mudanças projetadas em diferentes condições de aquecimento e identificar como elas se distribuem geograficamente.

    De acordo com o gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, o painel tem a possibilidade de comparar diferentes níveis de aquecimento global. “Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”, disse.

    Para o pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Jean Ometto, o novo painel permite à sociedade acessar as projeções climáticas. “As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento”.

    O pesquisador do INPE Gilvan Sampaio fez a apresentação do painel. Ele explicou que a plataforma está em sua primeira versão, tem navegação simples e que o instituto tem trabalhado para que seja possível baixar os dados sobre o clima por área e biomas. “Nós vamos incluir outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”, avaliou.

    Fonte: Agência Brasil (Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.

  • Racismo e desigualdades afetam aprendizagem das crianças, diz estudo

    Racismo e desigualdades afetam aprendizagem das crianças, diz estudo

    O racismo impacta as oportunidades de aprendizagem das crianças desde cedo, de acordo com análise feita pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. A conclusão é baseada em resultado de avaliação internacional que mostra que, aos 5 anos de idade, foram verificadas diferenças no desempenho de crianças de acordo com a raça/cor e com o nível socioeconômico.

    Segundo o estudo, a primeira infância é a fase de maior desenvolvimento da vida e é fortemente influenciada pelo ambiente, pelas relações e pelas oportunidades que a criança vivencia.

    “No Brasil, o racismo estrutural e as desigualdades históricas afetam o acesso a serviços de qualidade e as experiências vividas desde cedo. Características como raça, cor ou nível socioeconômico não determinam a capacidade de uma criança de aprender. O que pode influenciar seu desenvolvimento são as condições de vida, acesso aos direitos, as oportunidades que cada criança das múltiplas infâncias recebe”, diz a diretora de Políticas Públicas da fundação, Vidigal, Marina Fragata Chicaro.

    Estudo internacional

    A análise foi feita com base nos resultados do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento avaliou crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em três dimensões: aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais.

    Em algumas das dimensões analisadas, foram verificadas diferenças significativas.

    Uma delas foi numeracia emergente, que avalia habilidades como contar, comparar quantidades e reconhecer padrões.

    No desempenho de acordo com a raça/cor, verificou-se diferença de 40 pontos entre crianças pretas (423 pontos) e brancas (463 pontos). Crianças pardas tiveram uma média de desempenho de 447 pontos.

    Também foi constatada diferença estatisticamente significativa entre as crianças quando se trata de memória de trabalho, ou seja, capacidade de armazenar e manipular informações. Crianças pretas obtiveram 462 pontos; crianças pardas, 463; e, crianças brancas, 471.

    Diferenças socioeconômicas

    A análise mostra ainda que as diferenças se acentuam quando considerados fatores socioeconômicos, como a renda familiar.

    A maior está em numeracia, com 84 pontos de diferença entre crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias com nível socioeconômico baixo (416 pontos) e crianças brancas ou amarelas de famílias com nível socioeconômico alto (500 pontos).

    Em seguida, está a diferença em memória de trabalho e em literacia, que é o desenvolvimento de habilidades relacionadas à linguagem, como a capacidade de entender narrativas curtas, palavras e sons. Em ambas competências foi verificada uma diferença entre os dois grupos de 55 pontos.

    Em literacia, enquanto crianças pretas, pardas ou indígenas de famílias com nível socioeconômico baixo obtiveram 477 pontos, crianças brancas ou amarelas de famílias com nível socioeconômico alto obtiveram 532. Em memória de trabalho, essas pontuações foram, respectivamente, 441 e 496.

    “Quando as desigualdades começam na primeira infância e não são enfrentadas, elas podem se acumular ao longo da vida, ampliando diferenças nas trajetórias educacionais e nas oportunidades futuras. Isso caminha em sentido contrário à construção de uma sociedade mais justa e equitativa, de um projeto país que valorize e compreenda as diversidades como potência”, defende Marina Chicaro.

    “Investir na primeira infância combatendo as desigualdades étnico-raciais não é apenas uma questão educacional: é um dever histórico e constitucional, uma responsabilidade coletiva e também um caminho efetivo para reduzir desigualdades e ampliar as oportunidades para todos”, acrescenta.

    Mudança

    Segundo a análise, identificadas as assimetrias, é possível, desde a primeira infância, adotar medidas para reverter esse quadro.

    O estudo destaca alguns marcos legais que já estão em vigor e que contribuem para a redução dessas diferenças:

    – Política Nacional Integrada da Primeira Infância: tem, entre as diretrizes, a redução das desigualdades a partir da priorização das crianças em situação de vulnerabilidade.

    – Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola: prevê ações para superar as desigualdades étnico-raciais desde a educação infantil.

    – Novo Plano Nacional de Educação: prevê monitorar o acesso e a permanência de crianças negras, indígenas e quilombolas na educação infantil e articular estratégias na pré-escola para reduzir as desigualdades de aprendizagem por raça/cor no ensino fundamental.

    A análise aponta também alguns caminhos para o desenvolvimento de políticas públicas:

    – Monitoramento por raça/cor: desagregar os dados de crianças brancas, pretas e pardas e usá-los para planejar e acompanhar a implementação e os resultados das políticas públicas e o acesso aos serviços, corrigindo rotas ao longo do processo;

    – Combinar políticas universais e focalizadas: priorizar crianças em situação de pobreza multidimensional e grupos racialmente vulnerabilizados, com atenção especial a territórios vulneráveis, quilombolas e indígenas;

    – Qualificar a oferta para quem mais precisa: Investir na formação continuada de professores que atendem crianças em contextos de maior vulnerabilidade, que são as que mais se beneficiam de práticas pedagógicas de qualidade;

    – Ampliar as oportunidades de aprendizagem em numeracia: fortalecer a formação dos profissionais para ampliar oportunidades de aprendizagem por meio da brincadeira e da integração;

    Fortalecer a intersetorialidade: integrar e qualificar a educação, a saúde e a assistência social para enfrentar, desde cedo, as desigualdades que podem se acumular na vida das crianças.

    Fonte: Agência Brasil (Agência Brasil). Notícia reproduzida com crédito, conforme as regras da agência.